O Robô nas Redações


Foto: Izabela Cardoso
Foto: Izabela Cardoso

A Tecnologia como substituta ao jornalista

 Por Eduardo Menezes, Matheus Resende, Thaynara Carolino

Nos últimos anos, a constante evolução da tecnologia para diversas áreas do conhecimento propôs o questionamento sobre até que ponto a inteligência artificial substituiria a mão de obra humana. No campo da comunicação, mais especificamente nas redações, surgiu uma nova forma de elaborar notícias.

Com o intuito de desmistificar a utilização dos robôs na criação de conteúdo jornalístico, a palestrante Silvia Dalben, graduada em jornalismo, rádio e TV e pesquisadora do assunto pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou as origens do jornalismo automatizado e o futuro desta tecnologia na mídia.

As pesquisas referentes a este tema derivam da necessidade de simplificar ações rotineiras e repetitivas, como a apuração de dados estatísticos para construção de notícias em áreas específicas – previsão de tempo, política, esportes, crimes e economia.

A primeira startup surgiu em Chicago no ano de 2010 por um grupo de estudantes auxiliados por seus professores-orientadores. O projeto despertou a atenção e interesse de grandes empresas que investiram para a comercialização de tal produto no meio jornalístico.

A partir daí iniciou uma parceria com a Forbes, revista americana de economia e negócios. Por se tratar de um programa inovador, a Central Intelligence Agency (CIA), investiu cerca de 32,4 milhões para o desenvolvimento da startup

Outros softwares foram sendo planejados em demais universidades americanas. Um deles foi o Wordsmith, utilizado pelo Associated Press e Yahoo.

O cunho inicial do programa era de uma plataforma padronizada de textos, em que as informações coletadas seriam organizadas de acordo com a semântica jornalística.

Segundo um dos criadores, estimava-se na época, que em 2014 haveria um bilhão de notícias publicadas por meio do Wordsmith. Entretanto, poucas pessoas liam as notícias no meio online, seu alcance ainda era baixo.

Diversos países investiram no avanço destes programas, mais especificamente, os jornais, que adotavam as suas políticas internas na construção deles. Porém, muitos foram desviando do foco jornalístico e produzindo conteúdo para ramos comerciais, abandonando as redações.

No Brasil, não há nenhuma startup ou investimento concreto na ascensão computacional deste recurso. Somente pesquisas estão sendo realizadas em universidades no momento.

Exemplo disto é Universidade Federal da Bahia (UFBA) com a doutora e mestre em Comunicação e Cultura Contemporânea, Suzana Barbosa, e a Universidade Federal do Maranhão (UFMA), com o professor Márcio Carneiro dos Santos. De acordo com Dalben, ainda é uma área desconhecida pelo jornalismo brasileiro.

Como funcionam a Natural Language Generation (NLG)

O jornalismo sempre esteve atrelado às tecnologias, desde a invenção da imprensa no século XV, não há como desvincular um do outro.

A produção deste tipo de suporte é fruto de uma parceria entre cientistas, engenheiros da computação e jornalistas. A necessidade evidente em produzir notícias da forma mais rápida possível, garantindo a qualidade do veículo de informação, fez com fosse explorado para além das competências do jornalista, não eliminando suas funções.

As fases de construção dos algoritmos dependem da lógica do projeto e das linguagens utilizadas, unindo-se aos processos de estruturação de um texto jornalístico.

O padrão é implementado e as informações são inseridas nos espaços destinados corretamente, finalizando o processo de elaboração da matéria.

O Futuro dos Jornalistas X Os Robôs

Os softwares não conseguem estabelecer conexão emocional com o leitor, tampouco expressar credibilidade das fontes que podem ser tendenciosas ou ofensivas. O futuro ainda é incerto quanto à evolução desta tecnologia para o campo jornalístico, já que sua utilização está voltada para áreas mais específicas do cotidiano.

O jornalista tem condições de apurar uma informação e contribuir para confirmá-la e torná-la mais próxima ao receptor, evidenciando que um programa não pode substituir uma profissão que nasceu da comunicação na sociedade.

“Os robôs não conseguem ir além daquilo que está nos dados, o que nos faz afirmar a necessidade de um jornalista para informar a população.” Silvia Dalben

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