Entrevistando quem entrevista


Entrevistando quem entrevista - Foto: Jorge Lopes
Entrevistando quem entrevista - Foto: Jorge Lopes

Durante a palestra, os alunos puderam desenvolver seu instinto como repórter lidando diretamente com quem entende bem do assunto

Por: Henrique Alves, Larissa Kaliane, Suélen Miranda, Luciana Cardoso

 

O encontro de seis jornalistas, Érica Vieira da Rede Minas, Joana Suarez do Jornal O Tempo e Edilene Lopes da Rádio Itatiaia; no turno da manhã; Gabriel Rodrigues da Record TV Minas, Juliana Cipriani do Jornal Estado de Minas e Kátia Pereira da Rádio Itatiaia, à noite, marcaram o encerramento do último dia da 1ª Semana de Jornalismo no UniBH. Acostumadas com o ofício da profissão, dessa vez, foram os alunos que tiveram a oportunidade de entrevistá-las. O evento foi de muita descontração e, ao mesmo tempo, de muito aprendizado.

Com as principais plataformas midiáticas representadas – TV, impresso e rádio, o evento “Entrevistando quem entrevista” tem como propósito inverter a lógica dos papéis. Dentre os assuntos discutidos, destacam-se os relatos das experiências profissionais, além de fatos marcantes e algumas dicas aos estudantes para obterem sucesso na carreira.

 

Entrevistando quem entrevista - Foto - Jorge Lopes
Entrevistando quem entrevista – Foto – Jorge Lopes

 

“O que mais me fascina, enquanto jornalista, é a oportunidade de conhecer gente,  falar de gente e respeitar gente” Érica Vieira

O fascínio da profissão, segundo as jornalistas, é a possibilidade de lidar com pessoas.  Entretanto, essa relação requer responsabilidade e equilíbrio. Muitas vezes, o personagem não está acostumado a ter vínculo com jornalista e acaba falando de assuntos que podem prejudicar a si mesmo.

“Contamos histórias, mas tem que haver um equilíbrio para não prejudicar o personagem. Pois, além de personagem ele é leitor, telespectador e ouvinte”. Edilene Lopes

Para Joana, o trabalho do jornalista, por vezes, transcende os conteúdos teóricos ensinados em sala de aula. Ela diz, ainda, que é na prática que deparamos com situações que exigem reflexão do tamanho do impacto que a notícia proporciona.

“Nem sempre temos que seguir os critérios de noticiabilidades que é ensinado no curso. Em primeiro lugar vem o respeito com o personagem”.

As repórteres relataram que com o exercício da profissão  se desprenderam de muitos preconceitos que possuíam e passaram a ter um novo olhar acerca das pessoas e de situações diversas.

Desastre em Mariana: Divisor de águas

Para as três, o desastre em Mariana foi um marco profissional e desafiador, devido a proporção e impacto da tragédia. Apesar da fatalidade, as jornalistas afirmam ter sido um evento de grande importância no meio jornalístico, a visibilidade adquirida aos veículos mineiros ultrapassou fronteiras e repercutiu não só nacionalmente mas, também, mundialmente.

Após a cobertura da catástrofe, ambas tiraram uma lição de vida, pela grande comoção que viveram durante esse período. Relataram ainda que, situações que antes elas viam como algo importante, se tornaram pequenas diante da grandiosidade da tragédia.

“Às vezes o fato de esquecer o blush em casa é motivo para reclamar. Lá, em Bento Rodrigues, as pessoas perderam suas casas, bens materiais e, em alguns casos, perderam a própria vida. É algo que nos faz refletir sobre o valor que depositamos em pequenas coisas”. Edilene Lopes

Entrevistando quem entrevista Foto: Jorge Lopes
Entrevistando quem entrevista Foto: Jorge Lopes

Desafios da profissão

Ao longo do bate papo, surgiram outros temas como: violência contra o jornalista e a relação entre repórter e editor. Edilene Lopes, por estar diretamente inserida no meio político, conta que está mais suscetível a sofrer ameaças e agressões, no entanto, isso nunca aconteceu de fato. Já Érica e Joana disseram receber mais carinho que agressividade nas ruas.

Quando o assunto é a relação do jornalista com o editor, as jornalistas – que também são amigas – têm opiniões e experiências distintas. Para a Joana, a relação é conflituosa devido a peculiaridade do impresso, pois a forma de escrever é algo particular e o editor acaba, várias vezes, alterando muito a essência do autor.

 

“Texto é muito pessoal” Joana Suarez

 

Érica, por sua vez, conta que só trabalha nas pautas que considera relevantes no aspecto social. A repórter preza muito pela verdade factual, e, caso a notícia seja algo superficial e sem fundamentos com a realidade, ela não as realiza. Já no rádio, Edilene considera ser uma profissional de sorte, pois sua relação com os editores é harmoniosa e eles buscam aprimorar o material que é obtido nas ruas.

Rotina do jornalista em diferentes meios

A jornalista Juliana Cipriani, da editoria de política do Jornal Estado de Minas explica como é realizado o trabalho no impresso:

“No impresso fazemos uma matéria mais completa, mais analítica.” Juliana Cipriani

A apuração é baseada na consulta às redes sociais pelos assuntos mais compartilhados e comentados, ao Diário Oficial da União, do Município e Legislativo. Além da presença constante na Assembleia em busca de pautas. Na TV a rotina é diferente, Gabriel Rodrigues que já trabalhou no SBT em São Paulo, TV Globo em Santos, TV Record em Bauru, Salvador, Santos e atualmente Belo Horizonte relata que o produtor é o responsável por lhe entregar a pauta para cobrir. Ele não participa da produção, como repórter apenas cobri a notícia.

“Não tenho rotina. Cada repórter é de um setor, mas ele passa por todos os programas, cada dia pode estar em um jornal diferente.”

Entrevistando quem Entrevista Parte 2 - Foto: Jorge Lopes
Entrevistando quem Entrevista Parte 2 – Foto: Jorge Lopes

Kátia Pereira, âncora do jornal Itatiaia 1ª e 2ª edição, conta que participa da apuração e produção do programa. Como apresentadora não vai mais às ruas, mas contribui na revisão do jornal que está praticamente finalizado. As alterações são feitas a partir de notícias vindas de outras unidades da Rádio Itatiaia, espalhadas pelo estado.

Dicas para ser um bom jornalista

E para finalizar o “Entrevistando quem Entrevista“, os convidados  aconselharam o público a como ser profissionais de sucesso, ou mesmo, sobreviver nesta profissão. Segundo Juliana Cipriani, para os estudantes deste curso o ideal é estagiar nas áreas de jornalismo, mesmo que voluntário, montar um portfólio com os trabalhos feitos e estar atento a tudo.

“O jornalista não pode ter medo é preciso perguntar!” Juliana Cipriani

A vida social deste profissional é complexa, de acordo com a radialista e apresentadora, Kátia Pereira, com o passar do tempo suas relações giram em torno do jornalismo e adverte aos estudantes:

” Não acreditem que terão folga em datas comemorativas, feriados, fins de semana e férias, tudo é negociável, mas nem sempre isso é possível. Não pode perder o entusiasmo, mesmo com o dia-a-dia. Estejam atentos a tudo, é preciso ter curiosidade, destrinchar o assunto, para saber se é relevante ou não.” Kátia Pereira

Entrevistando quem Entrevista Parte 2 - Foto: Jorge Lopes
Entrevistando quem Entrevista Parte 2 – Foto: Jorge Lopes

Gabriel Rodrigues enfatizou a importância de se precaver para todas as situações e que você já estar inserido na área contribui para conseguir outras oportunidades.

“Quem faz tudo, faz tudo, quem não faz nada, não faz nada. Sorte é ter oportunidades e estar preparado para elas. É preciso estar preparado para todas as situações. O importante não é saber tudo e sim saber a quem perguntar”. Gabriel Rodrigues

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